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Editorial

Brasil, o ano é 2022 e acredite, pareço estar vivendo um passado contado apenas nos livros de história ou relatados numa prosa com meu pai que já não está mais entre nós.

Como é que chegamos nesse fosso civilizatório?

No editorial anterior, eu relatei que foi por normalizar absurdos e vou continuar insistindo, até o fim, PAREM DE NORMALIZAR ABSURDOS.

O Brasil é o país que mais mata a comunidade LGBTQIA+ NO MUNDO, a herança deixada na revolta de Stonewall em 1969 não reflete em nada o 28 de junho daquele ano, 53 anos se passaram e continuamos em 69.

Para uma maior clareza sobre o que foi a revolta de 1969, nos Estados Unidos não ser hétero era crime, isso mesmo, CRIME. Então, as pessoas que cometiam esse CRIME BÁRBARO DE NÃO SER HÉTERO (contém ironia), se encontravam em um bar em Nova York chamado STONEWALL INN; ali elas poderiam ser elas mesmas, porém, de vez em sempre, a polícia aparecia pra fazer a justiça. Uma justiça violenta, agressiva e criminosa.

No dia 28 de junho de 1969, a polícia resolveu fazer a sua batida costumeira: invadiu o bar e retirou uma Drag Queen aos socos. A levaram para dentro de um camburão e a agrediram. Um grupo de pessoas que estava próximo ao bar, vendo toda aquela situação, não deixaram por menos. Fartos de tanta humilhação e constrangimento, enfrentaram a polícia pelo direito e liberdade de ser e existir.

Em 28 de junho de 1970, 10 mil pessoas se reuniram para comemorar um ano da revolta, dando início às modernas paradas LGBTQIA+ .

Normalizamos absurdos como falas homofóbicas de pessoas que estão à nossa volta, normalizamos abusos contra toda a comunidade LGBTQIA+, normalizamos falas de um presidente homofóbico, machista, racista, misógino e sexista.

Só reforça o coro de quem tem o mesmo tipo de pensamento criminoso e esse tipo de "cidadão de bem” precisa voltar pro esgoto.

A ausência de políticas públicas efetivas (educação, saúde, emprego, lazer) voltadas para garantir a dignidade e a proteção de pessoas LGBTQIA+ -sobretudo aquelas mais vulneráveis-, a ausência da discussão sobre direitos humanos, gênero e identidade de gênero em escolas e espaços de formação e o avanço do discurso fundamentalista, contribuem para estes tipos de crimes.

Precisamos ter a coragem de Martin Boyce, que tomou a iniciativa com um grupo de pessoas para enfrentar a polícia na revolta de Stonewall em 1969, quantas Dandaras dos Santos mais nós precisaremos perder para reivindicar o óbvio? Quantas Marielles mais serão assassinadas?

O orgulho LGBTQIA+ não nasceu da necessidade de celebrar ser lésbica, gay, bi, trans ou +, mas, do direito de existir sem perseguição, perseguição feita por muitos que apoiam o atual presidente, reforçados pelo próprio.

Existe uma falsa polarização política por parte das pessoas, por parte da imprensa. Essa falsa simetria é muito perigosa uma vez que não há dois lados. Quando um lado defende a vida e a outro lado mata, estamos em 1969.




A opinião do colunista não é, necessariamente, uma opinião do Coletivo Sala Solidária.

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Chris Kayo

(São Paulo, Brasil)


Vocalista da banda Mergulho e Perfurador na Klash Tattoo

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