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Editorial

Por: Chris Kayo



Segundo alguns historiadores havia cerca de 5 milhões de indígenas até a chegada “patética” dos portugueses. Sim, eu disse patética.

A história nas escolas é contada de uma forma um pouquinho diferente de como ela foi de fato.

O grande problema, é que iniciamos uma educação nas escolas contando apenas um lado da história, o lado dos portugueses.

A história dos livros de escola retrata os portugueses -homens brancos- como se fossem deuses, heróis trazendo suas especiarias, seus artefatos, suas armas, a sua religião. Mas tudo isso não passou de uma doce ilusão, de um ensino fundamental infundamentado.

Os originários de nossa terra salvaram os homens brancos. Os próprios nativos descreviam que os homens brancos estavam podres, morrendo doentes e “os nossos” ajudaram os homens brancos a se curar e sobreviver.

Com a colonização diversos grupos indígenas foram dizimados, tribos indígenas extintas e muitos dialetos originários se perderam para sempre. A população indígena atual é muito menor do que a encontrada pelos portugueses, mas ainda sim é marcada por grande diversidade e mais de 200 línguas são faladas no país. Mesmo assim, o que vemos é uma visão bastante estereotipada, como se todos os indígenas fossem iguais e agissem da mesma forma da época da colonização.

O termo índio carrega uma visão bastante estereotipada, com um sentido pejorativo e é rechaçado por diversas etnias.

Muitos indígenas usam esse termo quando acompanhado de sua etnia, ou seja, quando não há problema em falar: “Índio Kaingue”, “Índio Terena”, “Índio Maxacali”. Isso revela “o orgulho de ser o que é”, mas o problema de falar “índio” como se todos fossem iguais é caracterizado a partir da perspectiva estereotipada que o homem lhe atribuiu.

Esses povos estão distribuídos em 12% do território nacional e a maior parte dos brasileiros desconhecem essa variedade cultural, reproduzindo um discurso do senso comum ao tratar da questão indígena do país.

Frequentemente ouvimos as frases “se usar roupa, não é mais índio!”, “se tiver celular, rádio, televisão, não é mais índio!”, “se índio falar português, perdeu a cultura, não é mais índio!”, como se não fosse permitido aos povos indígenas acompanhar as mudanças que acontecem ao longo do tempo.

É o mesmo que dizer que você não pode aprender outra língua porque estará deixando de ser quem você é. Pois é, quando se para alguns instantes pra pensar, é PATÉTICO. Então por que fazer isso com os indígenas?

Consumimos uma série de histórias mal contadas, e talvez isso tenha feito com que muitas pessoas estereotipassem tanto nossos originários.

Os indígenas têm perdido seu espaço em todos os âmbitos, desde cultural até territorial, principalmente com o atual governo (Bolsonaro - sem partido). Algumas questões precisam ser levantadas e registradas para que nossos originários não acabem no esquecimento ou pior, extintos.




A opinião do colunista não é, necessariamente, uma opinião do Coletivo Sala Solidária.

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Chris Kayo


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